A equipe brasileira que esteve 21 dias em missão humanitária no Haiti, país arrasado por um terremoto em meados de agosto, contou com os serviços de três bombeiros especialistas em Enfermagem. Inicialmente organizado para buscas de sobreviventes nos escombros, o esforço logo mudou seu foco de atuação para ajuda humanitária, em parceria com entidades religiosas locais e missões de outros países. Os brasileiros distribuíram toneladas de alimentos e chegaram a realizar até 50 atendimentos médicos por dia.

Integraram o grupo de 32 militares os sargentos Otoniel Severino Anselmo, 45 anos, Rodrigo Piccoli, 38 anos, enfermeiros e Deusmar Nunes da Silva, 45 anos, técnico em Enfermagem. Eles contaram com exclusividade para a reportagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) um pouco das suas experiências. Além dos desafios próprios da atuação em uma zona devastada por desastres, havia também o risco da presença de gangues que poderiam atacar o comboio de caminhões com os bens levados pelos brasileiros.

Bombeiro gaúcho cedido à Força Nacional, Rodrigo Piccoli admite que foram na bagagem “muitos receios” do que encontraria no país, mas, no decorrer dos dias de trabalho, foi possível a adaptação. De acordo com ele, a paixão pelo cuidado venceu as adversidades. “A Enfermagem, o cuidado ao ser humano, está muito acima das barreiras. A arte da Enfermagem, está acima das diferenças culturais e da barreira do idioma”, declarou Piccoli.

Integrante da Força Nacional, o pernambucano Otoniel Severino Anselmo já havia participado de uma missão anterior a Moçambique e não teve dúvidas em aceitar o desafio de ir ao país caribenho. Após o desembarque na capital, Porto Príncipe, houve o deslocamento por terra até o Sul do país com o objetivo de estabelecer base na cidade de Les Cayes, próxima ao epicentro do desastre, um trajeto complicado pelos danos diversos na infraestrutura rodoviária do país, sucessivamente arrasado por terremotos e tempestades tropicais.

O cenário encontrado foi de destruição e carência. “Havia, nos canteiros da estrada, muitas barracas e tendas montadas como um grande acampamento margeando a rodovia, as crianças e adultos à espera de doações (qualquer coisa)”, descreveu Anselmo. Após a chegada e montagem da base, foram restabelecidos os serviços básicos de saúde nas cidades de Corail, Torbeck, Jéremie, Camp-Perrin e Pestel. “Improvisamos a instalação de posto de atendimento básico de saúde, realizando triagem das necessidades médicas e de enfermagem da comunidade”, explicou.

Stg Otoniel atende paciente haitiano; foram cerca de 50 consultas por dia

Completou a equipe de Enfermagem o técnico Deusmar Nunes da Silva, especialista em atendimento pré-hospitalar. O saldo que ficou é muito positivo. “Durante os atendimentos, tive a percepção de que nossas ações verdadeiramente ajudaram a amenizar aqueles sofrimentos, mesmo que temporariamente”, celebrou Anselmo.

Para o conselheiro federal Wilton Patrício, coordenador da Comissão Nacional de Profissionais de Enfermagem Militares (CONPEM/Cofen), a atuação no Haiti demonstra a amplitude das ações de Enfermagem nas Forças Armadas. A comissão assessora a plenária do Cofen em aspectos éticos e legais relacionados à atuação dos profissionais Enfermagem nas Forças Armadas. “Realizamos o elo do Sistema Cofen/Conselhos Regionais com os profissionais de Enfermagem militares”, explica Patrício, que é capitão RR da PMES.

Terremoto – Localizado nas Antilhas, o Haiti é a nação mais pobre das Américas e foi atingido por um terremoto de magnitude 7,2 no dia 14 de agosto. Foram contabilizados mais de 2 mil mortos e dezenas de milhares de casas destruídas.

Fonte: Cofen | Portal da Enfermagem